Aiiinn,
gentem... tou com o coração aos caquinhos... Me corroendo de ciúmes por
dentro... Tá uma dureza só!
Meu Heitor, lindo, levado, sapeca, está na melhor fase: a
das descobertas. Safado, brincalhão, risonho, falante (de uma língua que
eu não entendo nada! rsrsrs) e eu não tou curtindo isso. Ai, que dó,
que dó, que dó! E que dor no meu coração!
Eu aqui na cama, deitada, e ele sendo cuidado pela menina que trabalha
aqui em casa (contratei ela pra ficar de seg. a sex., das 8h às 18h, pois
ela era diarista e vinha apenas fazer faxina de 15 em 15 dias, desde que
eu tava grávida de Heitor).
Então, ela dá banho, dá almoço, põe pra dormir (ele só dorme no braço
agora, e no braço dela! Antes ele até deitava ao meu lado na cama, mesmo
antes de eu cerclar, e eu ficava alisando ele, conversando, dando
beijinhos, e ele ia pegando no sono, agora só quer dormir no braço. E no
dela! Nem no da minha mãe ele quer, quando mainha vem pra cá!).
Eu tava até me controlando, mas eu não tou mais aguentando esse
ciúmes... (será que é ruim sentir ciúmes assim? É possessividade?!?)
Hoje à tarde ele dando umas risadas deliciosas, correndo pela casa,
uma delícia... Mas eu só escutava a risadinha, não podia vê-lo, nem
correr atrás dele... Era ela quem estava fazendo isso em meu lugar!
Correndo atrás dele, brincando de esconde-esconde, jogando bola com
ele... E eu morrendo aqui...
Aiiinnn... Como dá para superar isso?
Ele vem até mim, me chama, me puxa pelos dedos, mas eu nem posso
acompanhá-lo... E ele choraminga, e os olhinhos ficam vermelhos, cheios
de lágrima, e faz biquinho... E eu digo apenas: - Mamãe não pode,
filhote!
E ele fica com aquela carinha e aquele olhar de cortar o
coração... E choraminga de novo... E quem vem ao socorro dele?
ELA!!!
Senti ciúmes até da hora em que ela foi cortar as unhas dele... Eu o
coloquei ao meu lado e fui cortar, mas ele não quis. É sempre uma novela
esses momentos. Aí ela disse: - Me dá que eu corto. E eu disse: - Não
precisa, mais tarde eu corto.
Passados uns minutos, ela começou a cortar
a unha dela e veio até mim: - Olha, Carlene, deixa eu aproveitar e
cortar agora, ele me viu cortando e ficou colocando o dedinho pra cortar
a dele também...
O que eu podia dizer?? Se dissesse NÃO de novo, ia ficar muito na cara o meu ciúmes...
Então, eu disse: - Tá, corta! Quase morrendo...
Até almoço, que ele tava péssimo pra comer, ele tá comendo tuuuuudo
(gente, ele tá limpando o prato! - Graças a Deus). Mas até isso me doi o
coração... Ela fica atrás dele com o pratinho na mão, e enrola, e chama
pelo gatinho na janela, e pelo au au, e mostra o avião que tá passando e
vai enrolando e enrolando e enrolando... E ele come tudo em meia hora!
Ela deu banho nele, e quando foi deitá-lo na minha cama pra trocá-lo,
ele se agarrou nela, em um abraço que eu quase que o arranco de lá!
Puxa, dizem os especialistas que nós mamães devemos ficar muito
satisfeitas se nossos filhos gostam da babá e se sentem bem com elas,
pois prova que elas o tratam com carinho e atenção, requesitos que
julgamos necessário para alguém que vai ficar com nossos pequenos,
mas... Eles não sabem nem 1% do que é sentir isso que se passa no
coração de uma mãe nessas horas...
Aí eu quero chorar, mas não quero magoar minha Heloísa, esse sacrifício é
por ela. E ela se mexe (já sinto ela, embora bem pouco, ela é
muuuuuuuito mais calma que Heitor nessa fase), e me satisfaço com isso. E
me alegro um pouco e tento, assim, confortar o meu coração...
